Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


 

 

 

Admiro os argumentistas que conseguem criar boas comédias. E aqui com todos os meus ingredientes preferidos: uma família, alguns amigos, um cão, uma paisagem de prender a respiração, e uma verdadeira aventura. 

Achei engraçado o resumo na página do IMDB: a história da mulher que gosta mais do cão do que do marido. E um dia o marido perde o cão...

Se formos justos, o cão é a personagem principal, embora apareça apenas no princípio e no fim do filme. O cão está sempre presente, mesmo quando está ausente. Ele é a personagem que irá ligar a família e ajudá-los a valorizar o que verdadeiramente importa. E sem lamechices, mesmo quando mostra o lado chato da vida dos cães: abandonados, colocados em canis superlotados, abatidos quando não adoptados. E já para não falar do lado chato da vida das pessoas: envelhecer, os problemas dos ossos, as pedras nos rins, os exames médicos.

O que sobressai neste filme: o guião, as personagens, o ritmo certo dos diálogos, os actores. Nos filmes de Kasdan as personagens brilham. Há sempre uma certa excentricidade, uma luninosidade, uma rebeldia, uma alegria, distribuídas em doses generosas pelas personagens. A tristeza pode abaná-las mas não as derruba. É essa a marca registada de Kasdan. 

A importância do cão já a vimos numa tragédia, o Turista Acidental, e também no papel de aproximar o homem triste e solitário da mulher alegre e sociável. 

Aqui, depois de salvo na auto-estrada pela mãe e filha, conseguirá a proeza de arranjar o marido perfeito, o veterinário, para a filha, fazer companhia à mãe na fase do ninho vazio, aproximar o casal que está desintonizado e ainda ajudar o sobrinho a aceitar o novo namorado da mãe (dele). 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:44

2016, um ano com muitos filmes para ver

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 17.01.16

Um dia escandalizei alguns viajantes quando referi gostar mais de ver filmes em casa do que nas salas de cinema. Claro que isso implica ver os filmes com um ano ou dois de atraso. Mas será que este ano vou resistir a ver The Martian, Hail, Caesar!, Bridge of Spies, 45 Years, Joy, Trumbo?

Pela lista de filmes que espero ver este ano, verifico que continuo a valorizar o guião (Drew Goddard e Andy Weir, os irmãos Coen) e a realização (Ridley Scott, Steven Spielberg). Assim como as homenagens ao cinema (Hail, Caesar!, Trumbo) e ao trabalho dos actores na pele de personagens (Charlotte Rampling, Jennifer Lawrence).

 

Este rio sem regresso revela a vida através do cinema. Agora falta revelar o cinema através dos que o vivem e amam. Realizadores, produtores, actores, edição, fotografia, cenografia, técnicos de som, efeitos especiais, todos contribuem para o resultado final.

Distingui entre vários tipos de cinema: de autor (intimista ou narcísico); próximo do documentário (biografia ou ficção); de ideias (direitos humanos, protecção dos animais e/ou ambiental); de acção (com muitos efeitos especiais); drama; comédia; animação. Pode situar-se no passado (histórico, de época); no presente ou no futuro (ficção científica). Pode utilizar a natureza como metáfora (The Petrified Forest, High Sierra), ou a cidade (The Asphalt Jungle) ou comparar as duas (On Dangerous Ground).

Também valorizei os realizadores, pelo domínio de uma técnica complexa, pela sua criatividade e pelo seu respeito pelo espectador. Assim como os actores, pela forma como vestem a pela da personagem.

 

Como qualquer outra forma de arte o cinema vai-se renovando. Em arte a inovação é fundamental. O espectador quer ser surpreendido. No entanto, a inovação tem sido sobretudo tecnológica. Falta uma inovação cultural. Libertar-se de caminhos percorridos, de clichês (em que o espectador antecipa as cenas seguintes), de piscar de olhos aos diversos fãs (perseguições no meio da rua, pessoas penduradas em precipícios, corridas de carros, explosões, bombas desligadas no último segundo, etc.).

Hoje é a ficção científica que destaco, um filão ainda com muito para dar. 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:36

Deixar o rio por uns tempos e ensaiar uma longa caminhada

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 12.02.12

É com um filme que nos projecta num futuro próximo, possível, o que o torna verosímil, que vou sair por uns tempos deste rio e ensaiar uma longa caminhada. Aqui na margem ficam gravadas as palavras-chave e logo a seguir as ligações a outros rios. 

 

Porque é que escolhi precisamente Children of Men antes de parar aqui? Porque foi dos filmes que vi ultimamente que mais me impressionou, a nível da linguagem do cinema, imagem, ritmo, sequências, guião, personagens-actores, tudo está perfeito.

E também pelos tempos actuais, incertos, bélicos, a adivinhar trovoadas, tempestades, para não dizer guerras várias, desde a guerrilha urbana desorganizada à guerra cirúrgica mais elaborada.

 

O filme consegue envolver-nos numa atmosfera da maior insegurança vital, uma vida nada vale, pode ser eliminada pelas razões mais absurdas, irrelevantes e arbitrárias, pode ser um equívoco, ou estar no sítio errado na hora errada.

Um grupo de rebeldes é perseguido e nessa fuga apercebemo-nos que todos procuram salvar a pele, a questão das ideias e da dignidade pessoal passa para segundo plano. Para sobreviver, aprende-se a desconfiança básica, nenhum elo é seguro, não há um refúgio sequer onde descansar sossegado, nem uma quinta quase abandonada. O único elo e o único  lugar será em plena floresta onde vive um casal de velhos que já não têm muito a perder num mundo desumano e infeliz.

 

Para o nosso herói, a causa vale a pena, trata-se de garantir a segurança de um autêntico milagre: num mundo sem crianças, a possibilidade de uma nova vida leva-o a enfrentar os maiores perigos para proteger a futura mãe, a ajudá-la a ter a criança, e a levá-la a local seguro. É uma forma de recuperar a vida dentro de si próprio, do filho morto precocemente, de toda a tristeza que o habita.

 

Contado assim, o filme assemelha-se a uma história infantil: a floresta de todos os perigos, as ciladas em todos os encontros, o herói, a heroína, a fada-madrinha, o ancião protector, o lugar da chegada.

E aqui temos, paradoxalmente, a verosimilhança do guião: em se tratando de histórias preconizadas por humanos, vemos perpetuar o melhor, inteligência, sensibilidade, afectos, coragem, sentido de grupo, e o pior, destruição, violência, poder, traição, doença. Este filme revela-nos a nossa realidade de espécie decadente. Que tudo destrói até ficar rodeada de lixo, apenas lixo.

 

E no entanto, no meio do maior lixo, da doença mais destrutiva, nasce uma criança. Magnífica metáfora ou parábola: a vida surge no meio da morte, tão frágil e tão forte, o choro da criança silencia aqueles homens e mulheres, deixa-os estupefactos.

 

Como uma sacudidela saudável, este filme encosta-me à margem deste rio. Também desconheço o que me espera, todas as caminhadas são imprevisíveis, lugares, personagens... Pego na mochila leve, respiro este ar fresco, e verifico o solo firme.

 

Este rio que observo agora da margem levou-me desde a origem, a infância dos filmes antigos na televisão a preto e branco, aos canais por cabo, DVD's e youtubes. Este rio acompanhou-me em correntes ferozes e em águas tranquilas. Este rio levou-me às personagens e aos lugares amados. Voltarei a navegar nas suas águas? Talvez um dia.

 

Para já, navegadores de outros rios, podem acompanhar a minha caminhada em terra firme n' A Vida na Terra.

 

 

A cena que mais me impressionou:

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:48

Este Natal escolhi um guião e o piano de Sakamoto

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 15.12.11

Este Natal escolhi um filme que em si não é uma obra de arte, nem sequer um filme virtuoso em termos de linguagem do cinema, mas tem um guião com imensas potencialidades, um guião assim podia pertencer a uma obra-prima, e tem personagens fabulosas bem defendidas pelos actores.

Como muitos filmes americanos das décadas mais recentes, segue determinados clichés na sua rota, refiro-me à própria questão da construção das personagens, são personagens-tipo para o bem e para o mal, e também ao desenvolvimento do guião a partir do primeiro terço do filme.

E há a questão da solução final para os encontros e dilemas, e a questão da banda sonora, mas disso podemos tratar já, será o piano de Sakamoto (o que tenho ouvido ultimamente): “Aqua”, “Koko”, “Amore”.

 

Se quisermos pensar em Natal este filme tem lá tudo: a futura mãe, uma mãe muito jovem e vulnerável, a esperança da vida esse milagre maior, a disponibilidade da sua natureza benéfica a reflectir-se na disponibilidade de desconhecidos que com ela se cruzam.

Este guião surpreende pela sua enorme força inicial: uma rapariguinha é abandonada pelo namorado no Wal-Mart. Daí para a frente constrói as rotinas da sobrevivência para si e para a bébé que vai nascer. Mas não estará sozinha.

Perguntamo-nos se isto é verosímil, defendo que sim, que é verosímil na sua simplicidade e complexidade, isto acontece na vida real. Porquê? Porque esta rapariguinha representa todas as pessoas aparentemente frágeis mas terrivelmente fortes na sua tranquilidade e constância, na sua natureza amorosa. Muitas vezes são presas fáceis de gente sem escrúpulos, isso também é verdade, mas muitas outras vezes recebem de volta o amor que expandem. Esta é para mim a melhor aproximação possível do espírito do Natal: esta disponibilidade afável e amorosa.

 

Aqui as mulheres são-nos apresentadas numa certa diversidade de tipos e na sua força e fragilidade, cometem erros e voltam a recompor-se, desde a alcoólatra generosa à mãe solteira vítima de predadores sexuais, passando por esta rapariguinha que descobre na fotografia (o registo da vida) a sua expressão no mundo.

Os homens aqui também na sua variação possível, do pior ao melhor, e com a possibilidade de redenção final mas após terem estragado tudo (no caso do namorado).

 

Procurem rever este filme sem preconceitos cinematográficos ou outros e terão uma agradável surpresa. Natalie Portman está perfeita aqui…

 


 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:12

Tennessee Williams e o Cinema

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 25.02.10

 

Este post poder-se-ia chamar "a insondável alma humana". Só que a alma, para Tennessee Williams, é muito mais complexa do que normalmente a consideramos. E muito mais terrena. É também essa a minha perspectiva: a alma humana enraíza-se como uma árvore a um território, a uma terra viva. Está ligada ao desejo, aos sonhos, às mágoas, à verdade que enterramos e escondemos, ao medo original, ao desamparo, à carência do amor, à dor inconsolável.

 

Nunca conseguirei explicar aqui a ressonância dos textos de Tennesse Williams na minha própria alma. A sua voz, ou melhor, a das personagens, é poética e cruel, expõe o que escondemos e a verdade de que fugimos.

É um dos meus autores, se assim o posso dizer. As suas peças são sequências de frases, de sínteses, de pequenos choques, que nos emocionam, quase sempre hipnotizam, vêm carregadas de electricidade e deixam-nos um calafrio. Não conseguimos escapar, não é possível. Tudo aquilo faz sentido, é a própria natureza humana, sem disfarces nem maquilhagem.

 

Por isso as suas peças são tão cinematográficas: A Streetcar Named Desire... Cat on a Hot Tin Roof... The Fugitive Kind (Orpheus Descending)... Suddenly, Last Summer... The Roman Spring of Mrs. Stone... Sweet Bird of Youth... The Night of the Iguana... The Glass Menagerie...

 

aqui coloquei a navegar Suddenly, Last Summer e também Cat on a Hot Tin Roof. E já aqui chamei as minhas personagens preferidas de Deborah Kerr, Hannah Jelkes, e de Richard Burton, Rev. T. Lawrence Shannon, em The Night of the Iguana.

 

O impacto deste segundo Suddenly, Last Summer, que revi há uma semana, foi ainda mais intenso do que a primeira vez. Raramente isso me acontece com os filmes. Talvez eu não tenha apreendido todo o seu significado da primeira vez.

Aquele jardim sinistro, uma réplica da floresta original, em que tudo se devora numa lógica indiferente e cruel, essa lógica que é traduzida de forma estranhamente próxima no relacionamento humano.

Sim, recordava bem esse jardim na casa de Violet Venables. E da forma absolutamente alucinada como ela se refere ao filho Sebastian, e ao significado da vida, do amor, da poesia. Vemos todo o horror paradoxal da sua descrição da viagem com o filho às Encantadas, como ele lhe mostrara a crueldade da natureza, como lá tinham voltado para ver como os pássaros devoravam as tartarugas recém-nascidas.

 

Talvez tivesse de ver muitos outros filmes entretanto para realmente ver este Suddenly, Last Summer. Desde a forma absolutamente mágica como esta peça é transformada em linguagem do cinema, as cenas, os planos, o ritmo, o movimento, as frases, os diálogos, os cenários, a fotografia. Tudo está perfeito. Mesmo os actores:

- Gostei muito de ver Montgomery Clift no papel de médico, que veste na perfeição, a postura correcta, o registo convincente;

- também com Elizabeth Taylor, talvez me tenha precipitado ao considerar Maggie the cat o seu papel, pois esta Catherine está verdadeiramente magnífica;

- e que dizer de Katharine Hepburn?, uma Violet Venables inquietante, arrepiante por vezes.

 

Ainda consigo ficar estupefacta com a estranha modernidade destes filmes! A sério! É como se fossem, também eles, intemporais. A sua poesia é eterna, talvez porque as frases de Tennessee Williams são eternas, talvez porque se ligam estranhamente à própria natureza humana.

Teremos mudado assim tanto desde a selva e a violência da sobrevivência, numa lógica cruel de predadores e as suas presas?

E não é estranho que só adoece quem está perto de uma consciência humana? Catherine, talvez o exemplar mais saudável e terreno daquela família, adoece com a verdade insuportável de tão dolorosa.

A mãe está pronta a sacrificá-la por dinheiro. O irmão nem reflecte nas consequências.

Violet tinha dito: Como é possível de uma família de naendertais sair um milagre da natureza?E no entanto... também ela pressiona os médicos para operar a verdade, extraí-la da memória da sobrinha, como se a verdade fosse operável.

É só com a aceitação total, sem reservas, do terrível segredo de Catherine, que a sua cura é possível. Só a verdade cura. Embora pressionado pelo director do hospital para a operação da jovem mulher, o médico hesitará até ao fim, até desmontar o puzzle dessa verdade terrível, e desvendar o que acontecera realmente no verão passado.

A verdade encerra o inaceitável para a mãe de Sebastian, que não conseguirá lidar com ela. A verdade sobre a natureza do filho, sobre a sua relação com o filho. A sedução como organização de vida. O desejo, sempre insaciável, sempre insaciado. E a utilização das pessoas, como dirá a jovem mulher ao médico: Amar não é utilizar as pessoas? Catherine fora útil ao primo nesse verão, servira de isco nessa caça, forma primitiva e simples da natureza primordial.

Estaremos assim tão longe da natureza primordial? É isso que nos arrepia em Tennessee Williams: ele revela-nos o nosso rosto e, de certo modo, o rosto de Deus. A nossa percepção de Deus. Aqui, Deus é a natureza que se devora numa lógica implacável.

 

Em The Night of the Iguana, Deus é o poder que tudo decide, naquela noite em que as duas personagens libertam o animalzinho. Também é o Deus da aceitação de todas as criaturas tal como são, só porque são humanas, nada mais (Hannah Jelkes). Também é o Deus de todas as possibilidades, como finalmente terminar um poema, precisamente antes de morrer (o avô dela). Ou descobrir que se chegou a casa depois de todas as aventuras e desilusões filosóficas e morais (Rev. T. Lawrence Shannon).

 

Em A Streetcar Named Desire, vemos que o próprio desejo é também ele insondável, não lhe percebemos a lógica, mas vemos aqui a sua força, o seu poder. Uns perseguem-no ou ficam a ele presos, outros fogem para outros territórios, para outros planos onde possam existir. De muitos misfits no cinema, esta personagem, Blanche Dubois, é uma das mais trágicas e poéticas. Também é uma das mais parodiadas noutros filmes e séries de televisão, nem sei bem a que propósito, porque aquela frase soa-me ao desamparo mais paradoxal que há, porque soa estranhamente teatral: Sempre dependi da amabilidade de estranhos...

Magnífica Vivian Leigh!, e também noutro Tennessee Williams: The Roman Spring of Mrs. Stone. Li o livro ainda no tempo da idade impressionável (trata-se de uma novela) antes de ver o filme, o que faz muita diferença. O filme aproxima-se muito desse sentimento terrível da percepção da idade como decadência física, como se fosse uma doença. É terrivelmente actual, porque é para essa obsessão que se está a caminhar. É certo que para uma actriz a idade tem imensa importância porque pode impedi-la de aceder a certos papéis.

No livro, lembro-me bem, Tennessee Williams é implacável. O seu olhar vê como um lazer, através da superfície, mas a sua voz, a sua voz é incrivelmente poética e sintética. Nunca vi escrever assim...

 

E ainda me falta falar de Sweet Bird of Youth e The Glass Menagerie.

Do primeiro, fixei sobretudo aquele par trágico, Chance Wayne (incrível Paul Newman) e Heavenly Finley (Shirley Knight). E a predadora Alexandra Del Lago (magnífica Geraldine Page). E como é frágil e, no entanto, resistente, o doce sabor do amor. Interessante este desmontar da linguagem do poder, através do pai de Heavenly, de como utiliza e tritura todos os que o rodeiam para conseguir os seus objectivos, como mantém uma mentira na maior hipocrisia. Como se é imune aos sentimentos dos mais próximos, ao seu sofrimento, mesmo humilhação pública.

Do segundo, e é o segundo Paul Newman aqui, registei o papel de Joanne Woodward. Mas também de John Malkovich. Gostava igualmente de ver a versão desta peça num filme de 50, sobretudo pelos actores, Jane Wyman e Kirk Douglas.

Finalmente, também gostava de ver The Fugitive Kind (baseado na peça Orpheus Descending), de 59, com o Marlon Brando e a Anna Magnani.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:37


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts mais comentados


Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D